In:

Amélia

Amélia não tinha a menor vaidade. Amélia é que era mulher de verdade.
Roberto era casado com Amélia. Roberto é que era feliz de verdade.
Ele costumava chegar do trabalho sempre as oito da noite, mas se numa sexta-feira de calor decidisse chegar as quatro da manhã, Amélia não reclamaria.
Amélia nunca acordava Roberto de madrugada para reclamar dos seus roncos que mais pareciam o som de porcos agonizando para morrer. Amélia deixava Roberto em paz quando ele queria passar o domingo todo coçando suas partes íntimas e vendo futebol, ela nunca falava nada contra. E quando acontecia de colocar o copo de cerveja suado em cima da mesinha de centro da sala, ela nem saia gritando pela casa.
Amélia era rara. Não era do tipo que passava horas discutindo a relação, e se Roberto fizesse alguma reclamação, Amélia simplesmente não respondia.
Enquanto passava horas no bar, seus amigos sempre voltavam para o fatídico assunto: mulher fala demais. Reclama da roupa jogada no chão, reclama da toalha em cima da cama. E mesmo que se jogue a roupa em cima da cama e a toalha no chão, certamente suas esposas continuarão reclamando.
Roberto tinha um grande amigo chamado Bartolomeu. Este vivia reclamando que sua mulher gritava alto demais.
- Alzira nunca consegue gritar baixo. E se eu digo isso pra ela, ela berra mais ainda. Eu não consigo entender – dizia ele tristonho.
Roberto saia do bar com um sorriso de um marido satisfeito no rosto. Mesmo com bafo de bêbado, marcas de batom e cheiro de cigarro, Amélia certamente não diria um “a” sobre isso. Ele dormiria feliz, como dormiu durante todos esses anos.
Enquanto no silêncio de sua casa vestia o pijama, Roberto pensava “Que bom que Amélia não é como Alzira”
Roberto se deixou levar pelo calmo sono. Nunca se arrependeu de ter se casado com uma mulher muda.

In:

O mundo que muda continua sendo o mesmo

Ainda há quem mate e morra por dinheiro
Mas se é para idolatrar o papel
Eu prefiro que ele esteja em branco
Pra eu poder imprimir o que meus olhos vêem
O que meu coração pensa
O que meus neurônios sentem

Ainda há quem acredite que o amor é somente beleza
Mas esquecem-se que ainda se faz guerra em nome do amor
Tornaram o amor tão rubro quanto o sangue
E não mais se faz amor
Eu prefiro o amor colorido
Que a todos ama e por todos é amado
Que se justifica sem ter respostas

Ainda há quem somente pensa no que deu errado
Mas esquecem se que o erro é precedido pela esperança do acerto
Esquecem-se que essa esperança não morre
Perdem o que ainda há de bom dentro de si
Vivem a se lamentar pelo que não deu certo
Eu prefiro o tentar
O morrer tentando
O nunca se acomodar

Ainda há quem acredite que o mundo mudou
Mas esquecem-se que quem muda são eles
Fazem o mundo instável
Perdem a certeza das pequenas coisas
A surpresa se torna sempre assustadora
As mudanças sempre são pra pior
Eu preferia que se transformasse sempre na mesma coisa
Ser o sonho do que será um dia
Ser por um dia o sonho do que será

In:

Faça uma boa ação!

Olá!
Como vão?
Já fizeram a boa ação do dia?

Eu acredito naquela idéia de que se cada um fizer pelo menos uma boa ação por dia o mundo se tornaria um lugar muito melhor. Eu fiz minha boa ação de hoje! Ajudei um vendedor de mandioca a passar com o seu carrinho por um buraco. Ok! Eu sei que eu não salvei o mundo, e que a existência humana não vai mudar por isso. De qualquer forma eu contribuí para que mandiocas chegassem ao prato de mais brasileiros! Imagine que catástrofe seria que aquele pobre vendedor de mandioca não pudesse distribuir seu produto.

Dramas a parte. Eu fiz alguma coisa notável.
Ou não!

Como acordei feliz (você vai ver abaixo que isso normalmente não acontece) decidi fazer uma segunda boa ação. Cheguei no escritório e minha chefe pediu para eu arrumar uns fios na parede
- Ah Lucas! Arruma aqui, você é alto!
Como se eu tivesse culpa!
Ok! ok!
Eu arrumei todos os fios, preguei tudo, bonitinho. Modéstia à parte fiz um excelente trabalho.
É como eu penso: dê a um homem um martelo, um punhado de pregos e de quebra uma furadeira e você verá pra que realmente servem os hormônios.
Depois me lembrei de um fato muito interessante. Eu só preguei, mas que arrumou os fios foi uma mulher.
DESESPERO!
(sem preconceitos e machismo, ta!)
- Andréia, você mediu esse fio direito?
E fez-se o silêncio.
Resumo: Era um fio de telefone. Do lado do aparelho sobraram quilômetros de fio (o suficiente para enforcar minha chefe) e do lado da caixinha faltou cerca de cinco centímetros.
CINCO CENTÍMETROS!
E eu tive que refazer tudo.
Ou seja, três boas ações
Vou poder ficar sem fazer boas ações pelos próximos dois dias. Meu saldo está positivo!

Coisas sobre mim que você deveria saber e eu não deveria contar:

Eu acordo de mau humor... Muito mau humor.
Sempre tenho a primeira hora do dia reservada pra detestar toda a raça humana e suas próximas gerações. Na primeira hora depois que eu acordo, nem me dê bom dia, provavelmente eu não responderei. A não ser que a noite tenha sido muito agradável, o que não tem acontecido.

Normalmente os meus diálogos de manhã não passam de:
- Bom dia – você me diz todo feliz por ter acordado mais um dia
- Anh – Eu fazendo um som que não se parece com nada

Não é algo que eu queira, eu simplesmente não consigo entender como alguém pode ser feliz as oito da manhã.
Do lado do escritório onde trabalho estão reformando um pequeno prédio (me parece que essa reforma está durando séculos) e trabalha um pedreiro infeliz que começa o dia cantando Tim Maia e depois parte para “Eu te amo meu Brasil, eu te amo”. Juro que um dia, quando ele começar a cantar “a semana inteira, fiquei esperando, pra te ver sorrindo, pra te ver cantando” eu vou aparecer, mas ele nem me vai ver sorrindo e nem vou cantar. Ele vai me ver mandando ele tomar no c*.
Felicidade matinal me incomoda.
Muito!

In:

Pra passar o tempo!

Ma ôe!

Tudo nos trinks?

 

Eu não faço a mínima idéia do que “trinks” signifique. Um tio meu que sempre usava essa palavra. Estranho.

 

Parece que faz anos que eu não escrevo aqui, ando meio sem tempo. Estou bastante pensativo nos últimos tempos. E, como é de costume, quanto mais penso, menos escrevo.

Meus textos vêm como espirros. Rápidos e satisfatórios. Rs.

Esta muito calor, e ontem fui roubado, então, to meio sem clima pra escrever. Tenho idéias, mas não o animo para colocá-las no papel!

 

Na verdade eu fui furtado. Mas roubado dá mais impacto!

=D

 

Acho que eu to meio down. Reparem que mesmo down eu continuo com classe, eu poderia usar “deprê”, “pra baixo” ou “fodido”, mas eu sou chique. Estou down.

Acho que chega, cansei disso tdo.

 

E pela-mor-de-G-zuis, vamos contribuir pra parar com essa coisa de aquecimento global.

Se o verão do ano que vem for tão quente quanto o desse ano, eu juro que eu me mudo!

 

Seis Verdades da vida:

1. Você não consegue tocar com a língua em todos os dentes que tens.

2. Todos os bobos, depois de lerem a primeira verdade, tentam tocar com a língua em todos os dentes.

3. E descobrem que a primeira verdade é mentira.

4. Agora estás a sorrir porque és bobo.

5. Em breve vais mostrar isto para mais algum idiota.

6. Continuas com um sorriso idiota na cara.

 

 

In:

Finito

Naquela noite Marcelo decidiu extravasar. Beberia qualquer coisa que fosse mais alcoólica que a cerveja, já que esta não fazia qualquer efeito em seu organismo. Chegaria em casa e daquele dia em diante tudo seria diferente. Seu casamento havia chegado num ponto insustentável, era hora de dar um basta.

- Marcelo, você está bêbado.
Marcelo não se sentia bêbado, talvez tonto, com enjôos e com a coragem de enfrentar a sogra. Talvez ele estivesse um pouco alto. Pensou em como sua sogra era uma mulher doce. Ok, ele estava completamente bêbado.
- Eu bebi uns a mais... Uns litros, acho.

Durante o mês que passou Marcelo refletiu muito sobre o real sentido do casamento. Ouviu relatos de amigos, conversou com os colegas de trabalho, se abriu com familiares. Fez de tudo que podia, nada mudava sua opinião, aquilo não era um casamento de verdade.

-Eu quero me separar!
Camila começou instantaneamente a chorar.
- Você é louco!
Marcelo sabia que estava bêbado, louco era conseqüência. Ele só não agüentava mais aquela vida.
- Camila, você percebeu quantas vezes brigamos esse mês?
- Nenhuma!
- Isso mesmo! Quantos casais você conhece que não brigam?
- Nenhum...
- Nosso amor está fadado ao fracasso... Cedo ou tarde vamos nos cansar dessa felicidade, e o que vai sobrar?
Camila estava confusa demais pra responder.
- FILHOS! Que vão viver uma rotina sufocante, e serão ridicularizados na escola. sabe porque? Porque no dia da reunião de pais-e-mestres e vai ter os dois com ele... Quantos garotinhos vão ter os dois pais do lado? E nem vai ter lugar pra sentar! ONDE AGENTE VAI SENTAR CAMILA?
Camila chorava.
- Acho que vai ser melhor mesmo. Afinal, essa coisa de família feliz é tudo uma mentira. Essa coisa de casamento é burocracia católica.
O silêncio dizia tudo.
- Eu te amo Marcelo.
- Eu também te amo Camilinha. Amanhã eu vou encontrar meu advogado pra dar entrada no divórcio.
- Agente se vê no tribunal amor.
Naquela noite ela dormiu na cama e ele no sofá. Apesar de tudo ele deitou a cabeça no travesseiro sorrindo. Agora sim estava casado.

In:

Acredite no poder do branco

Raquel esperava ansiosamente feliz pela chegada da garota que iria roubar o mais precioso bem que ela tinha. O filho. Fizera aquela macarronada com o molho que, como dizia ele “ninguém sabia fazer igual”. Fez também o estrogonofe que, também segundo seu filho, era o prato preferido da namorada. Acidentalmente deixou cair três colheres a mais de sal no estrogonofe, e talvez uma colher de sabão em pó. Raquel lembrou que deveria avisar a todos para que não comessem o estrogonofe... Lembrou também que se esqueceria de avisar isso para a garota. Acidentalmente, claro!

A mulher de meia idade ouviu o minúsculo poodle latir, só latia daquele jeito quando ele chegava.
- Augusto, meu filho!
A recepção fora maravilhosa, repleta de beijos, abraços, afagos, elogios e conversas calorosas. Durante esse tempo a garota encarava o teto. Alguns minutos passados, Augusto lembrou que havia uma mulher ao seu lado. Logicamente que não era sua mãe, pois Augusto era filho único, e acreditava na castidade de sua mãe, ela não era mulher, era somente sua mãe. Nem Augusto e nem Raquel conheciam Freud.
- Mamãe, essa é Sofia, minha namorada.
- Ah!
Na doentia mente daquela mulher “ah” significava muita coisa. Neste momento caberia “Você é a vaca que quer roubar meu menino?”. Disse isso como se tivesse acabado de reparar que Sofia estava lá, como que surgida de supetão debaixo da pata de fofo (o poodle).

Enquanto os homens conversavam sobre qualquer coisa na sala, Sofia e Raquel conversavam amigavelmente na cozinha.
- Querida, prove um pouco de estrogonofe, sei que você ama.
- Acho melhor esperar os outros.
- É a primeira vez que faço, estou insegura. Prove primeiro.
- Acho melh...
- PROVE!
Sofia provou generosas colheradas do estrogonofe, e fez cara de quem amou.

Todos estavam sentados a mesa quando teatralmente Raquel quebra o silêncio
- PUTZ!
Como se já não fosse suficientemente bizarro uma quase senhora de 50 anos dizendo “putz”, ela continuou:
- Melhor não comer o estrogonofe!
- Porque mamãe?
- Acho que acabei confundindo algum ingrediente.
- Eu não queria dizer nada pra não decepcioná-la senhora, mas o gosto estava estranho.
Sofia tomava grandes goladas de suco para aliviar o gosto de sabão.
- O que você pôs de errado?
- Se eu disser, você vai achar engraçado!
Eles riram.
- Talvez eu tenha colocado um pouquinho de sabão.
Eles pararam de rir.
- COMO VOCÊ PÔDE FAZER ISSO COMIGO
- Mamãe, isso é coisa que se faça?
- Vocês não tem senso de humor?
Eles podiam gritar xingar e chorar, mas já estava feito. O estômago de Sofia ia ficar três vezes mais branco do que com os sabões em pó comuns. Porque ela tinha classe. Usou sabão com alvejante.
Mais do que anteriormente, Sofia se acabava em beber copos de suco.
- Mãe, você não tem vergonha de ter colocado sabão na comida?
- Vergonha do sabão nem tanto... Tenho mais vergonha de ter feito o suco com a água do fofo!
Sofia cuspia.
- Brincadeirinha... Você não tem senso se humor?
Talvez aquilo fosse verdade. Em partes. Raquel só usou água do fofo para o suco de Sofia.
Agora Sofia cuspia fogo.
- Você é uma bruxa velha!
Como numa novela mexicana, Raquel chorava.
- Filinho amado... Viu o que essa-mocinha-aí disse de mamãe?
- Ah mãe, você pediu!
- Velha desgraçada!
- E você não vale nem as colheres de OMO que estão aí dentro
- COLHERES? – uníssono
- VOCÊ DISSE QUE TINHA POSTO UMA!
- Uma, ou duas, ou doze... Que diferença faz?
- OK! Eu ia te dar um tapa... Mas agora vou dar doze, nem faz diferença.
- Hey! Calma aí, você primeiro tem que ficar de molho, depois vai pra centrífuga!
Era uma piada, mas só Raquel riu. Como que um Pokémon em estágio de evolução, Sofia pareceu ganhar o dobro da altura. Voou para cima de Raquel.
- Filinho meu amor. Ela vai me matar!
- É melhor eu fazer isso antes que você me mate!
- CHEGA!
- Eu nem sei seu sobrenome... Nem sei de onde você veio, porque te deixaria com meu bebê?
- Era pra isso que servia o jantar, velha burra! E meu sobrenome é gallo!
- Augustinho meu amor... Quem é a mulher do galo?
- A galinha.
- Achei seu sobrenome bastante adequado!
- Pra mim chega! Augusto, você vem comigo?
- Lógico amor!
Ele se virou a caminho da porta.
- Meu bebê, estou tendo um AVC, eu vejo a luz, seu papai veio me buscar.
Augusto se ajoelhou para acudir, e quando virou a cabeça já era muito tarde, Sofia já havia ido. Raquel estava feliz, era menos uma em sua lista, e seu bebê era só seu novamente.
Raquel acreditava no poder do branco.

In:

Ah, o carnaval!

O que tem de tão mágico nesses dias de carnaval?
Temos trocentas escolas de samba que usam os temas mais estranhos para cantar um samba repetitivo e que somente serve de plano de fundo para que mulheres nuas possam mostrar como a medicina estética ajuda a criar um corpo perfeito. Ou não. Só falta o cérebro. Mas eu tenho fé de que um dia ainda haverão próteses de massa incefálica, assim como hoje existe o tão popular silicone.

Penso que as mulheres poderiam colocar patrocínios nos peitos, daria pra ganhar um dinheiro. Imagine a rainha de bateria com "Clínica Dr. Emanuel. Um grande peito pra uma grande mulher" carimbado na mama. Seria lucrativo!

Acho que pertenço a outro mundo, ou a outra cultura. Poderia ser chinês, chinês não samba. Nem eu!

E ainda temos quatro dias de desfiles. Quando eu era criança eu amava, mas hoje vejo que eu amava muito mais a expectativa de poder ficar acordado durante toda a noite do que os desfiles. De qualquer forma, eu nunca conseguia ficar acordado até o final do globo repórter com aquelas matérias animadíssimas sobre o tucano-se-lá-o-que.
Hoje eu vejo como os desfiles são chatos, e como diz meu pai "viu um, viu todos". É tudo igual.
Ontem tinha uma escola falando sobre o banho. E eu fico pensando, como alguem consegue fazer 7 carros alegóricos de 10 metros, vestir cerca de 5.000 pessoas e cantar um samba de duas horas sobre o banho.
Eu sempre vi o banho como uma coisa nomal... Tipo, eu tomo todo dia!
Próximo passo, fazer um samba sobre uma pedrinha!

Sobre o carnaval do restante do Brasil, não sei se vale muito comentar.
Compor um axé consite em usar palavras sem sentido que terminem com um acento circunflexo.

- EU VÔ PRA SALVADÔ
- ENCONTRÁ MEU AMÔ
- EÔ EÔ EÔ

Repita isso 15 vezes, entre uma e outra insira "TIRA O PÉ DO CHÃO"
Parabéns, você tem um axé!

Minha família (a parte da minha mãe) é bahiana, ou seja, cresci vendo isso. Logo, eu sei que na Bahia, se cair uma panela no chão, meia dúzia começa a dançar!

Cansei do carnaval!
Cansei de escrever!

Até mais!

=*